terça-feira, 5 de março de 2013

Semana da Leitura 2013 nas escolas

As escolas dos Açores preparam-se para a Semana da Leitura 2013

 Escola Secundária Manuel de Arriaga - Horta

Escola Básica e Integrada da Ribeira Grande
autor: Nuno Pequeno (professor de Educação Visual e Tecnológica)

segunda-feira, 4 de março de 2013

Um amor feliz


Pela idade em que lia um livro da colecção “Os Cinco” por dia, havia de ter dez anos, não mais, foi parar à minha biblioteca, certamente comprado pela minha mãe, um livro muito especial. Não sabia de tal quando o vi; não sabia de tal quando o comecei a ler; creio que já o sabia quando a sua leitura se tornou um encantamento para mim; sabia-o já quando terminei de o ler e as personagens, os seus pequenos dramas familiares e pessoais, os espaços onde se moviam, o tempo da sua existência, tudo isto tomou lugar cativo na minha própria existência, como se aquele mundo fosse um mundo paralelo ao meu, tão vivo e tão real como o meu; sei-o agora com toda a segurança – aquele foi/é (é certamente) um dos livros mais marcantes da minha vida.

Foi um amor feliz – é um amor feliz, pois os amores felizes fazem sempre parte do presente, não se esquecem, não sucumbem à passagem do tempo, não são relegados nem substituídos. Depois de muitos anos se passarem, Mulherzinhas, de Louisa May Alcott, não deixou de ter o mesmo lugar de honra no meu coração, e é com ternura que recordo daquele primeiro amor. E penso: o primeiro amor – se feliz – mantém-se inalterado, conserva sempre o viço da juventude com que foi vivido; a ele podem seguir-se outros, tão ou mais fortes, mas que não o rasuram; o primeiro amor tem a candura de algo que escapa ao tempo e que, de forma latente, está presente em todos os tempos posteriores da nossa vida. Guardei Mulherzinhas na estante. Não o reli. O primeiro amor só se vive uma vez, depois recorda-se, e nessa recordação permanece inalterado. Reler Mulherzinhas em idade madura podia ter um efeito perverso, pois a minha alma já não tem o olhar cândido que me fez apaixonar pelo livro. Guardei Mulherzinhas e vivo ainda aquele primeiro amor feliz.

De outros amores felizes se foi tecendo, ao longo dos anos, a minha relação com os livros: A Relíquia, de Eça de Queirós, O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo, A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera, A Montanha Mágica, de Thomas Mann, Cem Anos de Solidão, de García Márquez, Evangelho Segundo Jesus Cristo, de Saramago, Nenhum Olhar, de José Luís Peixoto, a poesia de Sophia ou de Safo. E outros, tantos outros amores felizes. Os livros não nos desiludem senão de forma clara e frontal, e pomo-los de lado. Acabou, nem sequer chega a ser um amor infeliz. Simplesmente um amor que não é. Ou um amor feliz, que, sendo o segundo ou o quinquagésimo, não rivaliza com os demais. Os livros são amores acumuláveis e que não se esgotam com o passar do tempo, com quezílias ou com traições. Não nos abandonam nem se furtam ao nosso amor.

Hesitei perante a escrita desta crónica na primeira pessoa, falando de um amor tão particular. Estive para carregar na tecla Delete. Mas mantive-a – como mantive o meu primeiro amor: um amor feliz, que sempre me fará falar de Mulherzinhas de forma emocionada. Deixo um depoimento. Talvez faça eco nos corações que viveram ou querem viver amores felizes.

Paula de Sousa Lima

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Vitorino Nemésio celebrado na ES Jerónimo Emiliano de Andrade


O departamento de Português e Línguas Clássicas da Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade vai realizar nos dias 18, 19 e 20 de fevereiro uma série de iniciativas para assinalar o 35.º aniversário da morte de Vitorino Nemésio, com o objetivo de dar a conhecer a obra literária do eminente escritor, desenvolver a cultura literária dos intervenientes na comunidade educativa e promover o conceito de açorianidade junto dessa comunidade.

Das atividades previstas constam uma exposição sobre a vida e a obra de Vitorino Nemésio, acompanhada de um questionário de visita à exposição e da redação de um texto biobibliográfico; uma exposição de obras de Nemésio; o estudo, nas aulas de Português, de poemas, textos narrativos e crónicas da sua autoria; a leitura pública de um conto ou uma crónica do autor e a distribuição de poemas e de excertos de textos narrativos nemesianos.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Regulamento do Concurso Nacional de Leitura - fase Açores

Trinta alunos de diversas escolas da Região vão estar presentes na fase regional do Concurso Nacional de Leitura, que se realiza no auditório da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, no dia 26 de abril. São 21 alunos do 3.º ciclo e 9 alunos do ensino secundário, das sete escolas participantes (ES Manuel de Arriaga, ES Domingos Rebelo, ES Jerónimo Emiliano de Andrade, ES Vitorino Nemésio, EBS Lajes do Pico, EBI da Maia e EBI de Capelas).

As provas dos alunos do básico são sobre as obras Permanências, de Judite Jorge, e  Os da minha rua, de Ondjaki, e os alunos do secundário farão provas sobre Ilha Grande Fechada, de Daniel de Sá, e As intermitências da Morte, de José Saramago.

Os alunos vencedores de ambos os ciclos estarão presentes na fase final do Concurso Nacional de Leitura, em representação dos Açores.

O regulamento da fase regional do Concurso Nacional de Leitura pode ser consultado aqui.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Um Livro entre nós


O que há hoje para ler?

E o ideal seria, aquilo que perseguimos, que esta fosse uma pergunta habitual, frequente, recorrente, tal como se indaga sobre o cardápio para o almoço ou para o jantar; não só nas nossas escolas como também no interior das casas, no seio das famílias, dos convívios e das associações.

Que ler seja quotidiano como um hábito, natural como uma necessidade, vital como um anseio premente. E isso acontecerá apenas através do manuseamento, da frequência e da desmistificação. É certo que as escolas têm que multiplicar-se na condução à leitura como uma porta aberta para todo o currículo e como um meio de diversão; as famílias terão de educar com a presença usual do livro e a sociedade terá de abrir espaço para que a palavra escrita caiba eficaz e continuadamente dentro das suas práticas.

Ao abordar um plano por vezes esquecemo-nos de tracejar os limites do que se há-de inserir dentro dele e por vezes este descuido custa-nos o granjear adeptos. No caso da leitura convém aceitar um universo bem vasto das coisas que se escrevem, o que não significa necessariamente descurar a qualidade; apenas ser mais ecléticos nas escolhas, menos rígidos nos conteúdos, nas temáticas e nas proveniências.

Porque ler é, primeiro que tudo, aprender a receber a mensagem, a reagir a ela e (ainda que mudamente) a comunicar. Aprender a estar bem aberto para um universo muito, muito vasto, que é sempre humano, no entanto, e donde navegam experiências, dimensões, sentimentos e ideias – ideias sobre as coisas, das quais é possível participar.

Porque infelizmente, é possível ler e ficar de fora, ainda que não seja esta uma eficaz leitura.

Porque, pelo menos no início, há que escutar o que o ser de cada um anseia para o conciliar com a leitura, para o viciar nela.

E o resto, sim: será um mundo que se abre, sem fronteiras nem limites. Um mundo que trará os clássicos mas também os recentes, os inovadores, os que se escrevem dentro de casa e os que se evadem dentro da alma, a criar um gosto, uma sensibilidade e um conhecimento.

É verdade que também não nos iniciamos na comida apenas ingerindo as criações de grandes chefes (talvez o nosso paladar ainda não reconhecesse a sua inegável qualidade e acabaríamos por nos enjoar com elas) nem se aproxima um recém-nascido da música senão através de sons muito simples e facilmente reconhecíveis dentro do universo que lhe é atraente e familiar: assim mesmo levaremos as pessoas à leitura – utilizando o fio da sua identificação e da sua preferência – a infalível teia humana do reconhecimento.

Madalena San-Bento

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Concurso Nacional de Leitura

Já estão selecionados os alunos das escolas dos Açores que irão à fase regional do Concurso Nacional de Leitura (CNL), que se realiza a 26 de abril, na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, e de onde sairão os vencedores do 3.º ciclo e do secundário, que vão representar os Açores na final nacional.

Os participantes do concurso terão agora de ler dois livros, sobre os quais incidirá as provas da final regional. Para o 3.º ciclo foram selecionadas as obras Permanências, de Judite Jorge, e Os da minha rua, de Ondjaki. Aos alunos do secundário cabe Ilha Grande Fechada, de Daniel de Sá,  e As intermitências da Morte, de José Saramago.

O CNL é uma iniciativa do Plano Nacional de Leitura (PNL), que conta este ano com a 7.ª edição, contudo só agora foi possível aos alunos açorianos participarem no mesmo, em consequência do protocolo estabelecido entre o PNL e a Secretaria Regional da Educação e do trabalho desenvolvido pela Direção Regional da Educação no âmbito do Plano Regional de Leitura.


Alunos selecionados:

EBI Vila de Capelas
- Rafaela Silva, Raquel Alves, Tânia Vasconcelos (3.º ciclo)

EBI da Maia
- Pedro Henrique Viana Silva, Henrique Bulhões, Lucília Conceição Melo Costa (3.º ciclo)

ES Domingos Rebelo
- Ana Rita Matos Ferreira, Rita Silva Correia, Gonçalo Pedro Almeida (3.º ciclo)
- Beatriz Ambrósio Freitas, Sofia Barbosa Machado, Aurélio Alexandre Ferreira Sousa (secundário)

ES Vitorino Nemésio
- Maria Inês P. Costa, Sara Cotter Cabral, Ana Carolina M. Barcelos (3.º ciclo)
- Vitória Barcelos Amaral, Francisca Correia Dutra, Diana Bettencourt Faria (secundário)

ES Jerónimo Emiliano de Andrade
- Liliana Aida Cardoso Costa, Madalena Gomes Conde Pimentel, Martim de Noronha Bretão Coelho dos Reis (3.º ciclo)
- Ieva Isabel Enes Dapkevicius, Frederico Pamplona Ramos de Oliveira Pontes, Catarina Vieira Câmara Teixeira (secundário)

ES Manuel de Arriaga
- André Costa, Bianca Azevedo, Bárbara Garcia (3.º ciclo)

EBS Lajes do Pico
- Jorge Gabriel Melo, Maurício Simas Sousa, Pedro Nunes Miguel (3.º ciclo)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Semana da Leitura

A semana da leitura deste ano é de 11 a 15 de março e é centrado na temática o MAR.

Esta iniciativa do PNL, a que o PRL se alia, convoca a leitura para mostrar a relevância histórica e cultural do mar na construção da identidade do povo português, ajudando a (re)descobrir a pluralidade de dimensões do mundo.

O desafio é lançado a partir de um conjunto de motes, devendo cada escola escolher um ou vários em função do seu projeto, e dinamizar iniciativas/ atividades de promoção de leitura que envolvam as crianças, os jovens, assim como diversos sectores da comunidade.

Estes motes deverão ser encarados como catalisadores de iniciativas, que traduzam saberes e competências da população escolar, numa articulação transversal do(s) currículo(s), desafiando a imaginação e a criatividade.

As iniciativas/ atividades a desenvolver deverão ser enquadradas por áreas diversas, como as que se sugerem:
Oceanos/ Fauna / Flora / Povos / Recursos Naturais/ Sustentabilidade do Planeta/ Energia/ Vida/ Ambiente/ Planeta Azul/ Consumo/ Tecnologias/ Profissões / Gastronomia/ Moda/ Arte/ Turismo/ Saúde/ Lazer/ Transportes…

No âmbito da Semana da Leitura, será promovido o Concurso «Eu Escrevo» que, mais uma vez, apela à imaginação e a um conjunto de competências muito diversificado enraizadas na transversalidade curricular e que se centrará, tal como esta edição da Semana da Leitura, na relação LEITURA – MAR.

O Concurso, que tem uma abrangência nacional, terá como público-alvo as crianças e jovens da educação pré-escolar ao 12.º ano de escolaridade, sendo convidados os estabelecimentos de educação e de ensino das redes pública e privada.

Às crianças da educação pré-escolar é proposta a recolha/exploração de um ou mais provérbios ou lengalengas relacionados com o mar a realizar pelo coletivo das crianças de uma sala.

Aos alunos do 1.º ciclo do ensino básico é proposta a elaboração de uma história (por exemplo banda desenhada) que alie texto e imagem e que tenha como ponto de partida uma história previamente lida (identificada com título e autoria).

Aos alunos do 2.º ciclo do ensino básico é proposta a construção de um texto jornalístico (notícia ou entrevista) que mobilize diversas áreas curriculares na abordagem dos motes e das áreas relacionadas com a Semana da Leitura.

Aos alunos do 3.º ciclo do ensino básico é proposta a construção de um texto jornalístico – reportagem – que mobilize diversas áreas curriculares na abordagem dos motes e das áreas relacionadas com a Semana da Leitura.

Aos alunos do ensino secundário é proposta a construção de um texto argumentativo que mobilize diversas áreas curriculares na abordagem dos motes e das áreas relacionadas com a Semana da Leitura.

Para mais indicações sobre a semana da leitura e concurso Eu Escrevo, consultar o portal do PNL.

Podem ainda aceder às atividades da semana da leitura de 2012 nas escolas dos Açores no portal da DRE.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Ler: uma atividade solitária?


A atividade de ler é, regra geral, considerada solitária. Associadas à leitura, assaltam-nos normalmente imagens algo estereotipadas, que fazem parte de um imaginário coletivo “consagrado”. E as imagens que nos assaltam mais recorrentemente são a do académico introvertido, mergulhado na leitura e alheado do mundo, ou a da jovem sonhadora que procura um local isolado para se entregar à “rêverie” que o livro proporciona.
      Conquanto a leitura seja fonte de satisfação intelectual ou preencha a necessidade de sonhar, de viajar imaginariamente, e, nestes contextos, se prefigure como uma atividade solitária, note-se que jamais o é exatamente. De facto, como diz André de Mourois, “a leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde.” Assim, a solidão esbate-se no “diálogo” com o livro: quem lê não está sozinho, antes acompanhado pelas palavras de outros, daqueles que deixaram o seu pensamento, o seu saber, a sua alegria, a sua tristeza... tudo isto impresso para que com uma infinidade de vozes//de mundos se pudesse dialogar. Mesmo assim, ler não implica necessariamente mais do que uma pessoa e um livro - o que é suficiente e satisfatório.
      Todavia, a leitura pode abrir-se a interações mais amplas do que a de um leitor com um livro. Quem lê um livro pode encontrar outro leitor que passou pela mesma experiência (ou seja, leu o mesmo livro, um livro do mesmo autor ou um livro versando o mesmo tema) e, forma espontânea, com esse outro leitor entabular um diálogo profícuo, que faça da leitura um ato de interação. Para que tal interação não se faça apenas casual e esporadicamente, têm sido criados os chamados clubes de leitura, onde leitores, sobretudo de idade mais “tenra”, comungam as suas experiências de contacto com o livro, partilhando experiências e desenvolvendo outras atividades decorrentes da leitura, como forma de fazer do ato de ler algo que ultrapasse o momento solitário de encontro com o livro - que é único e muito pessoal, mas não intransmissível. Para além dos clubes de leitura ou de outros “espaços” afins criados como salutar objetivo de fazer da partilha da leitura algo enriquecedor e aprazível, não esqueçamos o espaço familiar como um dos mais privilegiados para a partilha de leituras, para o gosto de dividir o que se leu comos que nos são mais próximos.
      De atividade solitária - num sentido estrito - a atividade de partilha, de encontro também com os outros (para além daqueles que o livro nos apresenta como, por vezes, amigos para sempre), a leitura será sempre a passagem do estar realmente só para o estar, de alguma forma (quiçá da melhor), acompanhado – acompanhado de vozes que se nos fazem íntimas pelo diálogo que connosco estabelecem. Podemos guardar essas vozes connosco ou transmiti-las a outros.

PAULA DE SOUSA LIMA

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Proposta de obras para o PRL

O Plano Regional de Leitura (PRL) tem como objectivo, entre outros, a promoção da leitura de autores açorianos e/ou de obras sobre os Açores. As editoras, outras entidades, ou escritores com edição de autor, que possuírem obras que se enquadrem neste âmbito, e que não fazem parte da lista do Plano Nacional de Leitura (PNL), deverão proceder à inscrição das mesmas nesta ligação, até ao dia 30 de junho de 2013, para serem sujeitas a análise por parte da Comissão Científica do PRL, e remeter dois exemplares para o seguinte endereço:

Plano Regional de Leitura
Direção Regional da Educação
Paços da Junta Geral – Carreira dos Cavalos
9700-167 Angra do Heroísmo