Se
fizermos um inquérito à opinião pública, lançando a pergunta “Considera que é
importante ler?”, poucos serão as respostas negativas obtidas. Parece, de
facto, consensual que é importante ler. Todavia, se à mencionada pergunta
acrescentarmos outra – “Porquê?” –, talvez as respostas se façam ouvir tímidas
e periclitantes: “Pois… É importante para tudo… É importante para a gente
aprender… Sei lá…”. Pois é: nem sempre é fácil clarificar os argumentos que
digam ser a leitura uma tão importante actividade. Mas é-o.
É-o porque…
Ler,
antes de mais, é uma fonte segura para proporcionar conhecimento – todo o tipo
de conhecimento. Advindo de um folheto informativo ou (em maior escala) de um
romance, o conhecimento que se pode adquirir através da leitura configura-se
como inestimável. Dos livros escolares e artigos académicos – que proporcionam
conhecimentos mais precisos e especializados –a um romance ou a um poema – que
podem facultar conhecimentos mais alargados (sobre a vida, o homem, mas
igualmente sobre História, Geografia, Filosofia, Antropologia, entre outros),
qualquer escrito se configura como um reservatório de conhecimento(s) que
dificilmente se podem adquirir tão consistentemente por outra via. Claro que a
televisão, a Net: mas note-se que na Net também se fazem leituras. E não serão
necessariamente menos relevante.
Mas
ler não é importante só para adquirir conhecimento(s): é-o também para facultar
o tão merecido lazer a que dele necessita – e dele, pelo menos de vez em
quando, todos necessitam. Ler proporciona o prazer de viajar por outros mundos,
por outros estados de alma, por outras sensações, permitindo, assim, a
libertação interior que tão necessária é ao ser humano. E, proporcionando
lazer, a leitura oferece, quantas vezes concomitantemente, uma reflexão sobre o
mundo, o humano, colocando questões que levam a aprofundar não propriamente o
conhecimento mas a sabedoria. Do conhecimento ao autoconhecimento, a leitura é
uma porta que se nos abre a pouco custo e com muito proveito.
Outra
boa razão para ler prende-se com o tão necessário conhecimento não de saberes
declarativos ou outros mas da própria ferramenta de comunicação usada nos
livros e no quotidiano: a língua. De facto, é através da leitura que se aprende
a usar – na escrita e mesmo da oralidade – a língua com proficiência. Furtar-se
à leitura redunda sempre – sem exceções – numa dificuldade acrescida de usar
corretamente a língua, seja a língua-mãe, seja outra. O desenvolvimento
vocabular, a capacidade de produzir uma boa estruturação frásica, o poder de
argumentar, tudo isto é saldo positivo – e absolutamente necessário – que se
tira da leitura.
E
mais? Ler é importante porque… Por talvez tantas outras razões que deixamos à
consideração do(s) leitor(es). Aliás, cremos que há sempre uma boa razão para
ler – nem que seja matar o tédio, e desta “morte” advirão, certamente, outras
mais-valias.
Paula de Sousa Lima







